CORRIDA NA TABELA X CORRIDA NO TAXÍMETRO
Nos
aeroportos Santos Dumont e Galeão, e na Rodoviária Novo Rio existem cooperativas
de táxis que trabalham com corridas pré-tabeladas. A viagem a bairros da cidade
tem um valor fixo; e ele é sempre superior ao de uma viagem realizada pelo
taxímetro. As cooperativas não oferecem qualquer tipo benefício ao local onde
estão instaladas, tão pouco aos passageiros (antigamente tais cooperativas ofereciam carros grandes, confortáveis e com ar-condicionado; hoje em dia, estes itens são facilmente encontrado nos veículos da frota comum de táxi). Não há motivo para se pagar R$ 29,50
por corrida tabelada do Santos Dumont até Copacabana, se no taxímetro a mesma
viagem custaria R$ 20,00 (vide matéria do Jornal O Globo).
A
alegação das autoridades municipais é simplória: com os valores já tabelados, os passageiros que usam o serviço não correm
o risco de embarcar em táxis “piratas” (que operam com taxímetros desregulados,
cobram tarifas exorbitantes e fazem percursos mais extensos para lucrar mais). Este
desrespeito aos passageiros e as corridas pré-tabeladas foram estabelecidas como “causa
e efeito”. Um grande erro. É obrigação da Secretaria Municipal de Transportes
garantir que qualquer pessoa, em qualquer lugar da cidade, embarque em um
táxi em perfeitas condições; e que o veículo esteja em dia com suas obrigações
(impostos; vistorias; motoristas devidamente habilitados). E mais: ar-condicionado
funcionando; veículos confortáveis e em boas condições (amortecedores e pneus
em bom estado). Isto é o mínimo a ser oferecido aos clientes.
Neste
tipo de serviço, cada motorista de táxi é o operador direto do meio de
transporte (na maioria das vezes, ele é o próprio dono do veículo); mesmo assim, esta atividade está sujeita a regras e normas estabelecidas pelas autoridades. Assim
como acontece com os trens, metrô e ônibus, os táxis precisam ser fiscalizados de
forma rigorosa pelo Poder Público. É necessário verificar, a todo momento, se o serviço está sendo
cumprido de forma satisfatória. Ressaltando que os táxis fazem parte sim da matriz de transporte de uma cidade; estes veículos são denominados "Transporte Público Individual". E se é público, precisa ser regulamentado para o uso adequado de todos.
Além
de atuar no controle e na fiscalização do serviço, a Secretaria Municipal de
Transporte poderia criar treinamentos e curso de reciclagem para que fossem ministrados, regularmente, a todos os motoristas de táxi. Bom
atendimento aos passageiros; conhecimento do mapa da cidade e de ruas; saber quais vias têm alguma restrição de horário de circulação ou quais, durante algumas horas, têm inversão de sentido; noções básicas de inglês (para
atender turistas de todo o mundo) e de espanhol (atender, particularmente, os
turistas da América Latina); estes são alguns aspectos a serem trabalhados para
tornar os táxis do Rio em um serviço de alta qualidade.
No
intuito de regulamentar de fato o serviço, a Secretaria Municipal de
Transportes poderia determinar a instalação de dispositivos eletrônicos (GPS, chip
com informações sobre o veículo e sobre o motorista) em todos os táxis; e
próximos aos aeroportos, ao Porto do Rio e à rodoviária, portais eletrônicos (estes terminais de passageiros são a porta de entrada da cidade para o Brasil e para o mundo). De posse destes ITS
(Intelligent Transportation Systems; na tradução, Sistemas Inteligentes de Transportes),
fiscais, juntamente com agentes policiais, verificariam a condição de todos os veículos
e motoristas que ali passassem. Caso a barreira eletrônica identificasse algum veículo (ou
motorista) em situação irregular, o mesmo seria retido e não faria o embarque
de passageiros. Lembrando que tais barreiras contariam com a presença física dos fiscais e funcionariam 24 horas por dia, 7 dias por semana.
A
cidade do Rio de Janeiro vai sediar as duas competições esportivas mais importantes
do planeta: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Sendo assim, o serviço oferecido aos
passageiros na cidade (trens, ônibus, metrô, barcas, táxis) precisa urgentemente
ser repensado e reinventado. O Sistema de Transporte no Rio parou
no tempo; as políticas do setor são inadequadas e/ou ultrapassadas. E o mais grave: o setor não é fortemente regulamentado. Passageiros
enfrentam diariamente às mais diversas desventuras, sujeitos a todo tipo de irregularidades e desrespeitos. É
preciso mudar. O Rio tem que se transformar numa cidade mais humana e agradável; e isto é obrigação do Poder
Público. Isto vale para qualquer cidade; mesmo que ali não ocorra um evento de grande magnitude.