TRANSOESTE – ALGUMAS LIÇÕES
O
primeiro sistema BRT da cidade do Rio foi inaugurado em junho deste ano. O
objetivo da Transoeste era diminuir o tempo de deslocamento entre a Barra da
Tijuca e Santa Cruz; e a meta foi cumprida. Uma viagem que durava mais de 2 horas, hoje é feita em aproximadamente 45 minutos. Em junho, ainda em caráter
experimental, o sistema transportou 144.643 passageiros. Em novembro, mais de
1,4 milhão de pessoas usaram o BRT da cidade. Esta demanda mostra, por um lado,
que os passageiros aprovaram o novo serviço; por outro, ficou comprovada que
existe uma demanda tal que justificaria sim a construção de uma linha de metrô na
Zona Oeste.
| Transoeste: demanda de passageiros. |
Infelizmente o sistema BRT dá sinais de saturação (veja o vídeo – RJTV 1ª Edição, 21 denovembro). No horário de pico, os veículos ficam superlotados.
Muitas vezes os ônibus não fazem serviço numa estação (de parada obrigatória)
simplesmente porque “não cabe mais ninguém”. Segundo a Secretaria Municipal de
Transportes, a partir de março de 2013, 12 novos ônibus irão se juntar aos 91
veículos que hoje compõem a frota da Transoeste. A Secretaria anunciou também que
irá fazer alguns ajustes na operação: alguns ônibus irão fazer serviço de
passageiros apenas no trecho Recreio-Santa Cruz. A intenção é diminuir a
superlotação nos veículos. Para realizar essa operação diferenciada, será
necessário construir retornos ao longo do itinerário. A Transoeste, mesmo com ajustes, sempre terá limitações. Os corredores não são segregados totalmente (há cruzamentos, semáforos e travessia de pedestres). A própria tecnologia envolvida (pneus e pavimento) tem sua limitação: em dias chuvosos, a velocidade dos ônibus precisa ser reduzida consideravelmente.
| Ônibus da Transoeste lotado. |
Os atuais ônibus da Transoeste têm capacidade (teórica) para 140
PAX (passageiros). Dentro de um planejamento mais criterioso, ao invés de
ônibus articulados, ônibus biarticulados (os mais modernos com capacidade de
250 PAX) poderiam operar na Transoeste; haveria uma maior oferta de viagens. E
para aumentar o espaço interno dos ônibus, os assentos poderiam ser dispostos
de forma longitudinal.
| Em Curitiba, os mais modernos ônibus biarticulados em operação. |
A escolha do meio transporte mais adequado para o
Rio precisa obedecer exclusivamente a critérios técnicos. Custo total do projeto;
capacidade do sistema; número de automóveis retirados das ruas por hora; tarifa;
poluição gerada. São vários aspectos que precisam ser analisados; e não apenas o custo de implantação. Construir
linhas de metrô é muito caro; seja no Brasil, nos EUA, na Europa ou no Japão. A
questão é saber se vale a pena fazer um investimento de tamanha magnitude.
Megalópoles como Nova York, Londres, Paris, Tóquio elegeram o
sistema metro-ferroviário como a melhor forma de transportar milhões de pessoas todos os dias. A
cidade de São Paulo também adotou o transporte sobre trilhos como a melhor maneira de diminuir os congestionamentos diários e aumentar a mobilidade urbana.
A Barra da Tijuca, por ser um bairro com uma
arquitetura moderna (e até certo ponto futurista), seria um cenário ideal para uma linha suspensa de metrô.
O viaduto metroviário passaria pelo canteiro central, se integrando
perfeitamente aos prédios e construções modernas da Barra. Essa linha, por
exemplo, poderia ligar o Jardim Oceânico até o Recreio; lá, haveria um terminal
intermodal, onde seria feita a integração com a Linha BRT “Recreio-Santa Cruz”.
Que
os problemas e ajustes da Transoeste sirvam de lição para as outras linhas de
BRT (Transolímpica, Transcarioca e Transbrasil). Alguns conceitos precisam ser
revistos para que os novos sistemas não fiquem obsoletos antes mesmo de serem
inaugurados.
Fonte:
Jornal O Globo