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terça-feira, 8 de janeiro de 2013


O PORQUÊ DA “MÃO INGLESA” (NÃO-OFICIAL)



No Reino Unido e nos países que foram antigas colônias britânicas, os volantes dos carros ficam na direita; e os veículos circulam pela esquerda. Numa rua de mão-dupla, a pista que “vai” fica na esquerda; a que vem fica na direita. Mas por que motivo?

Direita " indo " e esquerda " voltando ".


  No Século XVIII, época dos cavaleiros e das carruagens, todos viajavam pelo lado esquerdo das estradas. Eram tempos difíceis; ter uma espada sempre à mão era a única garantia de uma viagem mais segura. Naquela época, assim como hoje em dia, a maioria das pessoas era destra. Para não serem surpreendidos, os cavaleiros mantinham-se do lado esquerdo das estradas. Caso algum oponente viesse ao seu encontro (pelo lado direito da estrada), seria mais fácil (e rápido) usar sua espada (posicionada à direita do cavaleiro).

Tudo ia muito bem até Napoleão Bonaparte entrar em cena. O imperador francês, ampliando cada vez mais seus domínios, decretou: nas estradas da Europa Continental, cavaleiros e carruagens deverão sempre manter-se à direita. Napoleão tomou esta decisão por dois motivos: primeiro, apagar da memória de todos um costume tipicamente inglês (Inglaterra e França eram inimigos na época); segundo, porque o próprio imperador francês era canhoto. Ficando à direita das estradas, Napoleão poderia duelar com seus oponentes mais facilmente. A ordem se estendia aos exércitos franceses; e nas carruagens, o cocheiro deveria ficar no lado esquerdo (assim como acontece nos veículos hoje em dia, circulando pela direita, com o volante do lado esquerdo do carro). A partir de Napoleão houve uma clara divisão nas regras de circulação: ingleses cavalgando pela esquerda; franceses pela direita.

Os EUA foram descobertos pelos ingleses. Mas na sua consolidação como pais sofreu influência também de franceses e holandeses. E a França e a Holanda adotavam a regra da mão-francesa. Além disto, depois de conquistarem sua independência, os norte-americanos queriam romper qualquer tipo de ligação com a sua antiga metrópole; cavalgar pela direita inclusive. Então foi feito como Napoleão fazia. Com o estouro da produção em massa de carros nos Estados Unidos (seguindo a convenção criada por Napoleão), países sem tradição automobilística importavam carros norte-americanos, e adotavam por consequência o jeito francês de circulação no trânsito.

Na América Latina, colonizada por espanhóis e portugueses, a mão francesa também foi adotada, uma vez que Espanha e Portugal ficaram sob domínio de Napoleão durante muito tempo. Curiosamente a Argentina adotou a mão-inglesa até o começo dos anos 40; decidiu pela mudança para que seus veículos pudessem circular pelos outros países sul-americanos sem maiores problemas.

Há uma corrente na Europa que defende a ideia do Reino Unido adotar a mão-francesa no trânsito de veículos. O problema que tal mudança iria custar milhões de libras/euros. Placas e sinalização nas estradas; reeducação de pedestres e motoristas; códigos de trânsito. Uma mudança drástica no comportamento de todos os britânicos. Melhor deixar do jeito que está. A Suécia foi um dos últimos países europeus a adotar o modelo francês de condução; a mudança ocorreu em 1967.